sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Convite: Cerimônia do Fogo Sagrado, 10/12

  Décimo passo rumo ao novo B'AK'TUN!


 Nesse sagrado dia agradeceremos ao nagual Toj por todo seu trabalho nos últimos 93600 dias, será o último dia Toj desta Era. Agradeceremos pelo sangue que corre em nossas veias, por todo o serviço que tivemos a possibilidade de ofertar. Agradecermos pela grande oferenda do Arquiteto e Formador da Existência, por nosso mundo e nossa vida!

A cerimônia do fogo sagrado é um cerimônia tradicional realizada no mundo maia. Durante a cerimônia honramos e nos conectamos com todas as energias do calendário sagrado (o Choq'ij, usado para o desenvolvimento humano). É um momento de agradecimento, oferendas (você pode trazer suas ervas/ resinas/ incensos ou comprar com a gente no valor de R$ 5,00) e pedidos.

Esse evento é promovido pela Associação Kabawil Brasil.
É necessário que exista uma troca em moeda para participar do evento, o valor cada um escolhe a partir do seu coração e identificação com a Associação.

Traga algo para compartilhar no lanche pós cerimônia e confirme via e-mail sua participação!

Maltyox (gratidão em maia quiché)!

focalizadora: Sandra Rodrigues
10/12 (segunda feira), 6 Toj, 19hrs
Rua Silvia, 173
tel: 3288-5305



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A DEIDADE NO MUNDO MAIA


Os Maias são politeístas? Não. Os Maias são monoteístas? Tampouco. Temos sempre a tendência de aprisionar as outras culturas segundo nossos critérios “ocidentais”. É impressionante, mas até os estudiosos mais afamados e brilhantes caem nessa armadilha com grande facilidade.
Para os Maias de ontem e de hoje, TUDO É SAGRADO. O divino não é um conceito abstrato. Não há um conceito de deidade afastado da realidade física. Está em tudo e através de tudo.
Por isto, sua expressão é múltipla. Porque cada lugar, cada montanha, cada pedacinho de terra, animal, planta, árvore, estrela... é uma manifestação de sua prodigiosa inteligência e poder.
Tudo é um e múltiplo ao mesmo tempo e tudo é visível e invisível simultaneamente. Daí, é que há a possibilidade de falar ou estabelecer comunicação com o Divino de tantas e tantas maneiras. Isto não são fantasias. É constatável.
Todas as formas geradas, umas mais fortes, outras menos, são canais individuais de comunicação com TZ’AQOL B’ITOL... O Criador e Formador, Pai e Mãe da Vida, da existência, doador da respiração, doador do coração... assim reza o Popol Wuj.
Quando um pesquisador que não passou por experiências espirituais, “estuda” culturas como a Maia, dirá que são “animistas” ou falará de “nahualismo” e catalogará o conjunto como “crendices”. Não sabe que a vivência do SAGRADO em TUDO é o que realmente se expressa na espiritualidade Maia. E o SAGRADO em TUDO não pode ser entendido, precisa ser sentido... primeiro no próprio corpo, no próprio sangue e nos ossos. Depois se abrem os olhos, despertam-se os sentidos e se percebe o SAGRADO em TUDO.
texto de Juan Carlos Romera Sales
tradução: Leslie Almeida

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

DANDO ADEUS AO ÚLTIMO TUN DO GRANDE PERÍODO OXLAJUJ B’AK’TUN


Que se elevem as Cerimônias do Fogo Sagrado desde hoje até o final do Grande Ciclo!
O 13 B’ak’tun é composto de 5.200 ciclos, chamados TUN e estes são compostos de 360 dias cada um.
De onde vem o TUN? Ele não é um período astronômico reconhecido, uma vez que sua intenção NUNCA foi a de contar fenômenos materiais isolados. Os pesquisadores que não conhecem a dimensão mística do calendário, que não a VIVENCIAM ou EXPERIMENTAM, nunca poderão entender isso plenamente.

O Calendário Sagrado de 260 dias e sua versão maior, o 13 B’ak’tun, medem a relação Espírito-Matéria em analogia ao período da GESTAÇÃO DE INDIVÍDUOS HUMANOS E A HUMANIDADE INTEIRA. Não se limita relatar sucessos físicos. Relata como o Coração do Céu- Coração da Terra gera a realidade física desde Seu Mistério de pura Consciência-Energia.
O número, a proporção e a medida, são as bases do Sistema Calendárico Maia. O número é ESPIRITUAL, antes que físico, e marca a transição entre a Inteligência do Criador-Formador e sua obra material cósmica e micro-cósmica (Humana = WINAK = Vinte)
O Sistema Calendárico, que é SAGRADO EM SUA TOTALIDADE, mede a evolução da humanidade. Os movimentos em DIAS (unidade básica) que leva a gestação de um bebê, uma geração ou um processo histórico completo, refletem-se neste sistema de cálculo. Mas o que nunca deve ser esquecido, é que estes são MOVIMENTOS GERADOS PELO DIVINO, INSEPARÁVEIS DO DIVINO E MANIFESTAÇÃO DO DIVINO. São projeções de Seu Pensamento e Palavra, plasmados “prodigiosamente” na perfeita unidade Espaço-Tempo. Pois, para o sentir Maia, não há separação entre espaço, o tempo e o movimento da energia-matéria.
Por este motivo, o TUN de 360 dias não tem relação direta com fenômenos astronômicos concretos. É um instrumento de medida da evolução humana. De qualquer maneira, não são os astros que definem o TUN... o TUN, que é uma medida ESPIRITUAL, simplesmente define o número de ciclos de dias (fenômeno astronômico solar) necessários para dar um passo evolutivo como humanidade.
Há que diz que o TUN é um ano solar mal contado. Continua existindo a noção equivocada que nossos ancestrais, em todos os cantos do planeta, eram mais tolos que nós. Que cada um constate a realidade na medida de sua atenção à própria existência, de modo a perceber seu nível de escravidão ou de liberdade.
Vamos ao ponto: em um B’ak’tun há 1.872.000 dias. Dividindo essa cifra por 20 (20=WINAK=MEDIDA HUMANA) temos 93.000 dias. Em um 13 B’ak’tun há 93.600 repetições de um mesmo Nahual-Q’ij ou Unidade de Tempo-Espaço-Movimento. Quer dizer... há 93.600 Ajpu’, 93.600 Imox, 93.600 Iq’... etc. Quantos ciclos completos Cholq’ij-Tzolkin de 260 dias há em 93.000 dias? 360 Cholq’ij.
360 é o número de dias do TUN. A ressonância numérica é a chave do Sistema Calendárico Maia. Cada TUN (Pedra) semeia os seguintes 360 Cholq’ij. Em outras palavras: TUDO O QUE VOCÊ PENSA, DIZ OU FAZ DURANTE UM CICLO TUN, AFETARÁ SUA LINHAGEM FAMILIAR, COMUNIDADE OU CULTURA POR RESSONÂNCIA DURANTE 260 PERÍODOS CHOLQ’IJ, ISTO É, 13 KATUN, en termos ocidentais: 256 anos.

Juan Carlos Romera Sales
tradução: Leslie Almeida

domingo, 2 de dezembro de 2012

CRITICAS AO TERMO JUNAB KU E AO SÍMBOLO USADO POR JOSÉ ARGÜELLES...


excelente artigo da página web www.espiritualidadmaya.org


A palavra Junab Ku vem do Maia Yucateco (ou Peninsular) e é formada pelas palavras: Jun = Uno, Ab = Só e K’uh = Deus; Hunabkú ou Junab Ku é por tanto, uma palavra criada pelos frades Franciscanos que chegaram a Yucatán para evangelizar e completar a conquista da Península, pela via espiritual.
Esta palavra inventada e quem sabe adaptada pelos missionários, foi usada principalmente para passar a idéia de seu Deus único, onipotente e Cristão. Esta palavra é encontrada apenas em referências. Agora, Hunab Ku como deidade, foi descrita apenas em duas fontes coloniais: O Dicionário de Motul e no Chilam Balam de Chumayel, mas não tem sido até o momento, encontrada nenhuma referencia pré-colombiana. Não é demais dizer que está ausente dos textos Maias, como o Ritual dos Bacabes ou o Popol Vuj.
Este fato, tem induzido os acadêmicos a pensar que a menção a Hunab Ku e sua concepção como deidade suprema (“ único Deus vivo e verdadeiro”), foi propiciada por interesse da cristandade, uma vez que os missionários encarregados da evangelização dos Maias na Península de Yucatán, quiseram criar uma transição entre as supostas crenças politeístas dos Maias e o monoteísmo Cristão que eles propagavam
Este conceito está totalmente ausente dos textos hieroglíficos pré-hispânicos, onde NÃO há NENHUMA menção à palavra Hunab Ku (como percebem, conservo a ortografia colonial por suas associações aos conceitos de domínio intelectual).
Hunab Ku entrou no vocabulário dos movimentos milenaristas de 2012, como a leitura de um suposto “Glifo Maia antigo”, uma espécie de “Yin-Yang” dos Maias. O professor John Hoopesha tem rastreado este motivo usado pelos movimentos de 2012 através da história e, aparentemente foram os frades espanhóis que introduziram estes desenhos aos tecelões do sudoeste dos Estados Unidos, à partir do México. O desenho aparece primeiramente no Códice Magliabechiano, um manuscrito do centro do México (provavelmente Azteca), do final do século XVI, e parece ter estado associado a um festival mexicano dos “Bezotes” (ornamentos que eram usados em uma fenda feita no lábio inferior). As copias deste códice, realizados por Zélia Nuttal, proporcionaram modelos para os artistas mexicanos modernos e foi em uma loja de tecidos de Oaxaca que José Argüelles (o criador dos movimentos do 2012) se apropriou a primeira vez deste símbolo. Como vemos, o famoso símbolo de Hunab Kú não tem nada a ver com algum Deus e nem com os Maias.
Sobre Hunab Ku, o Dr. Hoopes diz: “Em outras palavras, os missionários católicos do México colonial, estavam tentando usar o conceito de “Hunab Ku” (que bem podem ter inventado) para referir-se ao “único Deus verdadeiro...”. É um pouco irônico que este conceito, uma ferramenta usada pelos ideologistas cristãos, que tentavam destruir a cultura Maia tradicional, tenha sido adotado por outros que agora pretendem “descobrí-la e celebrá-la”.
Recentemente com o advento e popularização das crenças como o Maianismo ou as da Nova Era, desde há algumas décadas, Hunab Ku tem se popularizado e sido colocado como deidade protagônica do panteão Maia. Mas como mencionado anteriormente, não tem sido reconhecido em nenhuma fonte de escritura Maia pré-hispânica e não é um termo utilizado na Guatemala, onde ainda se pratica a Espiritualidade Maia.
HUNAB KU NAS CRENÇAS DA NOVA ERA
As crenças sobre Hunb Ku, reiteradas por autores da denominada Nova Era, provêm da obra do antropólogo mexicano Domingo Martínez Parédez (1904-1984), que realizou uma interpretação do conceito em 1953 e ampliou sua explicação um um livro posterior: Hunab Ku: Síntese do pensamento filosófico Maia (1964). Em seus livros, Martínez argumentou o conceito de que Hunab Ku demonstrava o monoteísmo dos Maias e sugeriu que estava representado pelo símbolo de um quadrado dentro de um círculo, este representando a noção de movimento e o quadrado a idéia de medida. Martínez relacionou Hunab Ku aos símbolos da franco maçonaria, muito particularmente com a idéia do “Grande Arquiteto do Universo” e do compasso com os esquadros maçons.
Foi Martínez quem vinculou Hunab Ku com a expressão Maia “In Lak’ech”, que significa “És meu outro Eu”, e que além disso, não é utilizado pelos Maias Yucatecos e nem os clássicos. Mesmo estando na língua, pode-se afirmar que isto também é uma invenção.
As idéias de Martínez foram popularizadas muito mais tarde por Hunbatz Men (um pseudônimo de César Mena Toto), crente maianista (não confundir com maista), por José Argüelles e por outros autores contemporâneos sintonizados à mesma corrente de pensamento.
O SÍMBOLO USADO PARA HUNAB KU
Argüelles popularizou a Hunab Ku em seu livro de 1987: O Fator Maia. Entretanto, aos invés de utilizar o símbolo de Martínez, usou outro símbolo estilizado, tomado possivelmente do Códice Magliabecchiano, copiado e reproduzido por Zélia Nuttall em 1903, e que está baseado em um manuscrito colonial de origem mexicana (não Maia), da região central do México. A estilização feita por Argüelles, sem sustentação arqueológica, evoca os motivos de Yin-Yang ou de uma galáxia em espiral. Este símbolo tem sido adotado pela corrente maianista e tem se difundido tanto, que se encontra atualmente em desenhos de tapetes de artesãos da região central do México.
Apesar das afirmações de Argüelles e ainda de Martínez Parédez, não há nenhuma evidência arqueológica de origem Maia Pré-colombiana para documentar algum símbolo relacionado com Hunab Ku.

" Es importante saber el origen de las cosas. José Argüelles no llegó a conocer el trabajo REAL de la cultura maya tal y como se vive en Guatemala. No convivió en las aldeas hasta donde yo sepa. El Consejo de Ancianos Mayas, Tat Juan Camajá o Don Otto Orellana y muchos otros de sus miembros no han sabido del trabajo que hizo José Argüelles. No se trata de pelearse con nadie, desmerecer o criticar destructivamente. Se trata de que todos sepamos que es maya y que no lo es. Si el Calendario de las Trece Lunas elaborado por José Argüelles es útil o no para la evolución individual o colectiva le corresponde a cada uno saberlo. Ante todo debemos cimentarnos en el respeto a la vivencia de todos aquellos que optaron u optan por ese camino. SIn embargo, desde ese profundo respeto a la diversidad de senderos, en esta páginas buscamos caminar junto a un calendario conservado durante milenios en Guatemala por toda una cultura y sus gentes." Juan Carlos Romera Sales
Tradução Leslie Almeida