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domingo, 23 de dezembro de 2012

É o primeiro B’ak’tun de uma “Nova Era” ou o 14 B’ak’tun?



Para os antigos Maias, isto é, para aqueles do período chamado “Clássico” (de 320 a 987 d.C.), de quem se sabe terem utilizado em profusão a conta dos B’ak’tun, este período longo que culminou em 21 de dezembro de 2012, poderia ter sido continuado. Quer dizer, a conta dos B’ak’tun poderia ser seguida por vintenas. Assim, vinte B’ak’tun formamum Pik’tun e inclusive por períodos muito mais longos. Há restos arqueológicos onde este conceito está claramente expressado.
Acabamos de concluir o 13 B’ak’tun e à partir de agora, inicia-se um novo, e, segundo esses princípios, trata-se do 14, que não estará completo, senão daqui a 144.000 dias. Daí virão o 15, o 16... até completar um Pik’tun.
Mas também poderíamos considerar que agora se encerra um 13 B’ak’tun para dar início a outro. O 13 B’ak’tun é um período muito concreto e especial para o pensamento Maia antigo, tal como demonstrado em recentes pesquisas arqueológicas. Não é de se estranhar que o 13 B’ak’tun tenha essa importância, uma vez que tem características muito particulares (como de condensar exatos 7.200 Cholq’ijab’ ou 260 K’atun). Sua sacralidade dentro da Cosmovisão Maia é óbvia.
Visto isto, podemos dizer que na conta do tempo Maia, tudo depende do ponto de vista de onde partimos. Nos dirigimos a cumprir em um futuro “distante”, um Pik’tun. Ao mesmo tempo, estamos iniciando um novo ciclo Oxlajuj B’ak’tun. Não há contradição.
Há outro ponto importante a ser considerado. Esta maneira especial de “contar o tempo”, está sendo recuperada graças ao esforço de arqueólogos e outros estudiosos. Isto tem muito mérito e deve ser agradecido. Agora bem, cabe ao povo Maia e àqueles que se interessam de verdade por esta visão do Cósmos, entender e restaurar o fundo espiritual daquilo que a ciência tem recuperado durante o último século. Disso parte a importância de que toda pesquisa sobre este tema, seja de ordem multidisciplinar e inclusiva, isto é, ciência e espiritualidade devem reunir-se em nossos esforços para recuperar uma herança que será útil, não somente para seus legítimos herdeiros, como também a todos aqueles que queiram aproximar-se desta fascinante ciência espiritual.

texto Juan Carlos Romera Sales
tradução Leslie Almeida

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

REFLEXÕES SOBRE COMO DESPEDIR-SE DO 13 B’AK’TUN E RECEBER O NOVO SOL

Quando anoitecer no dia de hoje e o Avô Sol seguir sua travessia pelo inframundo até alcançar o Nadir (ponto contrário ao Zênite), terá sido completado o Oxlajuj B’ak’tun. Entre a diversidade de opiniões à respeito do início e término de um dia do Sagrado Calendário, está aquela sustentada por muitos Maias de Guatemala e México, na qual se considera a meia-noite verdadeira, como o ponto crítico entre o fim e o princípio de um novo Q’IJ.
Mas, voltando ao Oxlajuj B’ak’tun: o que acontecerá no 21 de dezembro (amanhã) não é o princípio de um novo ciclo e sim seu ASSENTAMENTO. Isto é, sobre o Nahual 4 Ajpu’ ou energia espiritual que sustenta tal período, é construído um novo TUN de 360 dias, um novo K’ATUN de 7.200 dias e um novo B’AK’TUN DE 144.000 dias.
É um momento de transição que se explica desde o conceito Maia de “zero”: um princípio potencial semelhante a uma flor, da qual vem um fruto, uma semente e uma árvore. Hoje completamos o 13 B’ak’tun. Amanhã haverá um nascimento, uma flor, um silêncio espiritual onde tudo é repensado pelo Coração do Céu-Coração da Terra, desde o profundo, desde sua calma invisível de pura consciência e vida. Este “repensar” colocará (ou já colocou, uma vez que estamos falando de níveis transcendentes de onde o “tempo” não é expressado ainda) as bases de construção de tudo que há de surgir posteriormente.
O fruto é o TUN, a semente o K’ATUN e a árvore referida o 14 B’AK’TUN, que será concluído em 144.000 dias. Como pode ser percebido, não acaba aqui a conta dos B’AK’TUN. Não entramos, como dizem algumas pessoas, ao 0 B’AK’TUN. É uma falácia que não se sustenta nas bases da Cosmovisão Maia, na estrutura de fundo, antes mencionada. Pois como atestam os registros arqueológicos, para os Maias antigos, os criadores deste conceito de tempo, a conta dos B’AK’TUN deve chegar a completar um PIKTUN, isto é, 20 períodos B’AK’TUN.
Não obstante, isto não minimiza a importância para a implementação do 13 B’AK’TUN que se encerra hoje, o qual por sua estrutura interna é um Cholq’ij composto de 260 K’ATUN. Além disso, sua importância não é histórica, arqueológica ou folclórica, muito menos turística ou uma desculpa para um bem pago espetáculo. Sua importância é ESPIRITUAL. Por tanto, o dia de hoje, dia de fechamento de um longo período, terá evidentes efeitos na vida pessoal e coletiva. Hoje se integra o Oxlajuj B’ak’tun à humanidade tal e como se constata nos acontecimentos que estão ocorrendo nestes tempos convulsivos e que se estenderão a todas as luzes e datas vindouras.
Não importa a negação de pesquisadores ou céticos, suas campanhas de desprestígio ou o mal entendidos propagados pelos sensacionalistas, que infundem temor e bloqueiam o interesse de muitos pesquisadores sérios por esta verdadeira ciência espiritual. Há uma matemática oculta nas contas calendáricas Maias, que liga o invisível ao visível, e isto se vive, se experimenta nas comunidades, é de experiência comum para muitos seres humanos nestes dias.
Para aquelas e aqueles que sintam o chamado deste momento e que tenham a consciência aberta à experiência do intangível, deverão saber que estes dois dias SIM são de grande importância para suas vidas. Será para todo o mundo, mas alguns aproveitarão conscientemente e os demais, que de igual forma, nunca estiveram desligados do tempo, carregarão seus efeitos, tal e qual como lhes é próprio em seus processos evolutivos particulares.
Hoje devemos despedir-nos daquilo que há minado nossas vidas, da inconsciência e dos condicionamentos que aprisionam o poder de nossas mentes, as quais são altamente criativas. É tempo para deixar para trás o subdesenvolvimento afetivo que nos faz egoístas, intolerantes, desrespeitosos, ingratos e cruéis. É hora de despojar-se do medo de viver com plenitude, com poder total. Hoje morremos àquilo que somos e o fazemos com TOTAL GRATIDÃO a todo este TUN e K’ATUN, ao B’AK’TUN, onde nossos ancestrais têm sofrido e superado inúmeras provas.
Recolhemos e guardamos todo este aprendizado no coração. Pois é da Grande Árvore Ceiba, que é o 13 B’AK’TUN, que sairá a FLOR que receberemos amanhã. E como todas as crianças que largam seus brinquedos para aproximar-se de assuntos mais amplos, assim deixaremos tudo aquilo que já não serve mais em nossas vidas. Que permaneça o melhor, a essência deste grande período: UM INTELECTO CIVILIZADO. Acredito que isto pode ser agradecido. A formação de SUA CULTURA durante séculos de história... isto também. A ciência, a tecnologia, a arte e tantas outras coisas de grande valor são recolhidas e levadas a uma nova aplicação.
E amanhã? Grande dia para meditar. Grande dia para o silêncio e para unir nosso coração ao Coração do Céu-Coração da Terra. É um momento de receber, de abrir-se ao que o Chuc-Ajaw, Mãe e Pai da existência tem refletido para você, para sua família e comunidade. A chave é a receptividade.
Levante-se cedo e espere a saída da Estrela Matutina. Coloque suas oferendas com alegria (pode ser uma vela, uma flor, seu coração e pensamento ou uma grande cerimônia compartilhada com seus amigos ou solitariamente). E, quando o Sol saia no horizonte, abra sua mente e coração a seus raios. Momento de orar... O quê? Abra-se à adoração da VIDA, à origem infinita de seu SER. Agradeça com plenitude de mente e afeto à Grande Avó, que é vibrante na Natureza. Abra-se como nunca, para receber sua bênção. ESSE É O PONTO CRUCIAL: receba SUA BÊNÇÃO QUE MARCARÁ SUA EVOLUÇÃO NOS PRÓXIMOS TUN E K’ATUN. Lembre que o TUN de 360 dias é o fruto da flor 4 Ajpu’. Durante o K’AK’TUN de quase 20 anos, haverá sementes para semear. O B’AK’TUN transformará sua semeadura em árvores ou em bosques, dos quais muitos se beneficiarão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

DANDO ADEUS AO ÚLTIMO TUN DO GRANDE PERÍODO OXLAJUJ B’AK’TUN


Que se elevem as Cerimônias do Fogo Sagrado desde hoje até o final do Grande Ciclo!
O 13 B’ak’tun é composto de 5.200 ciclos, chamados TUN e estes são compostos de 360 dias cada um.
De onde vem o TUN? Ele não é um período astronômico reconhecido, uma vez que sua intenção NUNCA foi a de contar fenômenos materiais isolados. Os pesquisadores que não conhecem a dimensão mística do calendário, que não a VIVENCIAM ou EXPERIMENTAM, nunca poderão entender isso plenamente.

O Calendário Sagrado de 260 dias e sua versão maior, o 13 B’ak’tun, medem a relação Espírito-Matéria em analogia ao período da GESTAÇÃO DE INDIVÍDUOS HUMANOS E A HUMANIDADE INTEIRA. Não se limita relatar sucessos físicos. Relata como o Coração do Céu- Coração da Terra gera a realidade física desde Seu Mistério de pura Consciência-Energia.
O número, a proporção e a medida, são as bases do Sistema Calendárico Maia. O número é ESPIRITUAL, antes que físico, e marca a transição entre a Inteligência do Criador-Formador e sua obra material cósmica e micro-cósmica (Humana = WINAK = Vinte)
O Sistema Calendárico, que é SAGRADO EM SUA TOTALIDADE, mede a evolução da humanidade. Os movimentos em DIAS (unidade básica) que leva a gestação de um bebê, uma geração ou um processo histórico completo, refletem-se neste sistema de cálculo. Mas o que nunca deve ser esquecido, é que estes são MOVIMENTOS GERADOS PELO DIVINO, INSEPARÁVEIS DO DIVINO E MANIFESTAÇÃO DO DIVINO. São projeções de Seu Pensamento e Palavra, plasmados “prodigiosamente” na perfeita unidade Espaço-Tempo. Pois, para o sentir Maia, não há separação entre espaço, o tempo e o movimento da energia-matéria.
Por este motivo, o TUN de 360 dias não tem relação direta com fenômenos astronômicos concretos. É um instrumento de medida da evolução humana. De qualquer maneira, não são os astros que definem o TUN... o TUN, que é uma medida ESPIRITUAL, simplesmente define o número de ciclos de dias (fenômeno astronômico solar) necessários para dar um passo evolutivo como humanidade.
Há que diz que o TUN é um ano solar mal contado. Continua existindo a noção equivocada que nossos ancestrais, em todos os cantos do planeta, eram mais tolos que nós. Que cada um constate a realidade na medida de sua atenção à própria existência, de modo a perceber seu nível de escravidão ou de liberdade.
Vamos ao ponto: em um B’ak’tun há 1.872.000 dias. Dividindo essa cifra por 20 (20=WINAK=MEDIDA HUMANA) temos 93.000 dias. Em um 13 B’ak’tun há 93.600 repetições de um mesmo Nahual-Q’ij ou Unidade de Tempo-Espaço-Movimento. Quer dizer... há 93.600 Ajpu’, 93.600 Imox, 93.600 Iq’... etc. Quantos ciclos completos Cholq’ij-Tzolkin de 260 dias há em 93.000 dias? 360 Cholq’ij.
360 é o número de dias do TUN. A ressonância numérica é a chave do Sistema Calendárico Maia. Cada TUN (Pedra) semeia os seguintes 360 Cholq’ij. Em outras palavras: TUDO O QUE VOCÊ PENSA, DIZ OU FAZ DURANTE UM CICLO TUN, AFETARÁ SUA LINHAGEM FAMILIAR, COMUNIDADE OU CULTURA POR RESSONÂNCIA DURANTE 260 PERÍODOS CHOLQ’IJ, ISTO É, 13 KATUN, en termos ocidentais: 256 anos.

Juan Carlos Romera Sales
tradução: Leslie Almeida

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

LEMBRANDO AS PALAVRAS DE WAKATEL UTIUW: A MUDANÇA DE CICLO NÃO É O FIM DO MUNDO


Diante das distorções expressadas desde há algum tempo, através de diferentes meios de comunicação, o Conselho Nacional de Anciões e Guias Espirituais Maias de Guatemala, rememora e esclarece ao mundo inteiro que estamos apenas finalizando um período do Sol, ao qual denominamos Oxlajuj B’aqtun. Cada B’aqtun tem 400 anos, que multiplicados por treze, somam o total de 5200 anos, um período Solar que tem acontecido outras vezes, desde que os antepassados Maias começaram a controlar e contar o tempo. Desta vez acontecerá no próximo dia 21 de dezembro, quando encerrará mais um B’aqtun, que fechará um ciclo de tempo.

Este é o final do Quinto Período Solar ou Quinto Sol, com a esperança de receber o Sexto Período Solar ou Sexto Sol, um novo amanhecer que anunciam os astrônomos Maias ou Senhores do Tempo e autoridades na vida espiritual e material; o mesmo transmitido pelos ancestrais há milhares de anos, de geração em geração. Por este motivo, o Conselho Nacional de Anciões estende o convite a todas as culturas, religiões e práticas espirituais de homens, mulheres, jovens e crianças, como bons filhos do Sol, filhos do tempo, para que nos juntemos em uma meditação global, desde nossas próprias formas de conexão com o Criador e Formador, em nossas cidades, comunidades, organizações e famílias, para alcançar a Paz e um caminho de Consciência, e assim melhorar nossas ações e evitar conseqüências lamentáveis de uma autodestruição que a ação humana tem provocado desde há um tempo.

Devemos gerar uma mudança mental para sentir, aprender e entender que todos os seres que habitam a Mãe Terra são irmãos: humanos, animais, plantas e todo e qualquer ser que ocupe o tempo e o espaço. Coabitamos sobre a Mãe Terra, porque sobre ela nascemos, de seus recursos sobrevivemos e quando descansamos, em seu ventre vamos dormir o sono eterno, uma vez que nossas energias seguem o curso da existência.

O tempo sagrado do qual somos testemunhas, irmãos e irmãs, é propício para pedir para que não nos faltem os alimentos. Pedimos que nossas sementes ancestrais sejam resguardadas e semeadas para as novas gerações; mas também exigimos a livre determinação e respeito aos territórios dos povos indígenas, fundamentais para garantir a segurança e soberania alimentares.

Exigimos que se reconheça o aporte econômico necessário que os povos indígenas solicitam aos Estados, desde diferentes setores de trabalho e produção. Também pedimos inclusão para que nossas idéias e vozes sejam refletidas na elaboração e execução de políticas públicas, porque de outra maneira não lograremos avançar e melhorar as condições de vida da população, especialmente a situação dos povos indígenas e outros setores vulneráveis diante das drásticas mudanças tecnológicas, climáticas, econômicas e políticas, que tem ocorrido no século presente. É o momento para enfatizar que devemos ir atrás de um projeto nacional, onde todos possamos participar e possibilitar a construção de um pais melhor.


Porque todos somos filhos de um único Criador e Formador. Chega de ofensas entre humanos e de humanos contra a Mãe Natureza.

Nossa Missão como Ajq’ijab’ ou Guias Espirituais Maias e como mensageiros de paz, esperança e unidade, nos convoca e nos motiva a estender um cordial convite às diferentes expressões religiosas e de espiritualidade ancestral para agradecer pela vida e para dar boas vindas ao Sexto Período Solar ou Sexto Sol, de acordo com os registros e a conta longa de tempo que nos legaram os antepassados Maias, e que começamos desde agora a honrar com a celebração do Wayeb’ e recebimento do ano novo Maia Oxlajuj No’j, enquanto se aproxima mais o final do Oxlajuj B’aktun, que traz consigo um novo amanhecer para que os povos acordem e tenham paz, muita paz e um bom viver, para todos, à partir do resgate, prática e difusão dos saberes e sabedorias ancestrais.

Iximulew/Guatemala, Fevereiro de 2012

Wakatel Utiuw / Cirilo Pérez Oxlaj

Ancião Maior do Conselho de Anciões e Guias Espirituais Maias da Guatemala